Afetividade ajuda crianças no desenvolvimento escolar em Natal

A afetividade é um dos pilares que devem nortear o desenvolvimento das crianças dentro da sala de aula. É o que afirmam especialistas e psicopedagogos. Para eles, a filosofia de trabalho das escolas deve focar na construção de situações que permitam aos alunos desenvolver o prazer pela aprendizagem, ao invés dos tradicionais métodos que focam apenas na nota do aluno.

“Não se trata de uma conotação melosa ou piegas. A afetividade é constituinte do aprendizado e perpassa pela qualidade da mediação, ou seja, da intervenção em interação com o outro no processo ensino aprendizagem. Todos aprendem à sua maneira e no geral, inclusive o adulto mediador. Assim, pais e professores se tornam mediadores em uma relação afetiva positiva”, explica Priscila Griner, diretora da Casa Escola, que trabalha com educação infantil e fundamental.

Ela explica que essa visão tem fundamentos nos teóricos da psicologia experimental do século XX, que atestam a importância do afeto no desenvolvimento infantil e entendem o meio escolar como um local de trocas, onde o professor consegue mediar atividades que motivem o aluno à participação e aprendizagem.

A afetividade, portanto, não é sinônimo de excesso de carinho. A questão é muito mais relacionada ao incentivo por meio do contato, do apoio e da presença. “Essa presença promove motivação, a que acolhe e transforma a relação com o aprendizado, quando o adulto desenvolve o olhar da valorização do que realmente deve ser valorizado. O objetivo é fazer pais e alunos ressignificarem o sentido de um aparente desvio necessário ao processo do aprender, buscando compreender o que o aluno quer e pode expressar segundo suas capacidades e particularidades”, complementa Priscila.

Esse reconhecimento foi necessário na educação da estudante do 4º ano, Laura Melo Tavares, de 10 anos. Ao final do 1º ano, Laura ainda não havia concluído o processo de alfabetização, o que preocupou os pais, os servidores públicos Alba Helena Bezerra de Melo, 45, e Carlos José Tavares da Silva, 52.

“Buscamos ajuda especializada para que Laura pudesse, aos poucos, sentir-se mais confiante, mas não evidenciamos esse aspecto no processo. Fomos orientados pela escola a respeitar o ritmo de nossa filha e assim fizemos”, explica Alba Helena. O 3º ano do Ensino Fundamental foi o divisor de águas para Laura. “Foi quando ela conquistou autoconfiança e despiu-se da postura passiva”, pontua a mãe.

A professora Adelyanne Kalynne comenta algumas estratégias que corroboram para a afetividade no ambiente da sala de aula. Uma delas é o elogio autêntico, que funciona como um estímulo positivo para a mudança de comportamento.

“Os recados no material, bem como a valorização de pequenas atitudes e conquistas por parte do aluno, o que os ajudam a se sentir mais confiantes e melhorem, não apenas o desempenho escolar, mas também o seu relacionamento consigo mesmo e com os colegas”, explica a professora.

Outra estratégia é a preparação de dinâmicas que envolvam o respeito. Isso faz com que os alunos olhem para os colegas, aprendam a conviver com as diferenças e reconheçam as qualidades de cada um.

Reuniões particulares com os pais de cada aluno também são importantes para o sucesso da evolução do estudante. “Isso não significa que eles devam dar respostas aos filhos, mas estimular descobertas e, se possível, prover orientações, isso tudo com atenção e interesse real, e com a preocupação de desenvolver, também, valores”, finaliza a educadora.


*G1RN

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